Amanda dançarina gostava muito de brincar com sua imaginação, fruto de uma infância que possibilitou ela sonhar...
com cavalos de chifre, músicas aleatórias e alguém que pudesse abraçá-la a qualquer momento no momento da angústia.
Amanda dançarina acreditava que o herói sempre viria, mas ele nunca veio, ou melhor, ele existia, somente para Amanda dançarina.
Amanda dançarina sorria e chorava por qualquer coisa, permanece ainda hoje com tanta força e potência, que só poderia vir de uma grande parte dentro de uma outra Amanda.
Amanda não dança mais como Amanda dançarina, entretanto, aprendeu a compor suas próprias canções, assim fica fácil de movimentar o corpo.
Amanda dançarina não sabia nada de dança e nada de música, mas sabia inventar. Inventava tão bem que sua realidade era outra, paralela aos declínios de uma sociedade desconhecida e aos perigos da convivência.
Amanda dançarina amava conviver.
Amanda dançarina tinha uma energia apaixonante.
Amanda dançarina dançava do seu jeito e era feliz, quando as opiniões eram meramente burburinhos que não faziam sentido. Desde sempre, muito ligada à palavra. Queria dar sentido a tudo e percebeu que o conhecimento é um lugar solitário e preservar sua ignorância lhe traria paz.
Amanda dançarina não queria paz. Não tinha ideia do significado. Queria dançar.
Amanda dançarina dançava. Amanda dança. Amanda dançará por muito tempo.
Amanda está orgulhosa de conhecer as notas de uma bela canção. Amanda dançarina que lhe ensinou.
Rio de Janeiro, 07.06.2024.